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Segundo a PMA, produtos são autorizados no país, mas não tinham licença. Donos da empresa responsável pelo transporte foram multados e autuados.

Do G1 MS

A Polícia Militar Ambiental apreendeu 11,1 toneladas de agrotóxicos que eram transportados sem licença na MS-306, em Costa Rica, a 338 km de Campo Grande. O flagrante aconteceu durante a quarta-feira (5), mas só foi divulgado pela assessoria da corporação nesta quinta-feira (6).

Segundo a polícia, o veículo pertence a uma empresa paulista. Os produtos são autorizados no Brasil, mas para o transporte é necessário uma autorização especial. Os pesticidas serão entregues em uma fazenda da região.

Além da irregularidade, o caminhão não tinha as identificações para transporte de produtos perigosos conforme as normas técnicas e legislação ambiental.

O condutor foi encaminhado junto com o veículo e os agrotóxicos para a delegacia de Polícia Civil local. Os responsáveis pela empresa irão responder pelo crime ambiental. Se a Justiça condená-los, podem pegar de um a quatro anos de prisão. A companhia foi multada em R$ 15,290 mil.

As eleições passaram e o Congresso Nacional não poderia ter ficado pior: mais da metade dos seus membros diz se identificar com a chamada Bancada Ruralista. Além de afrontarem os direitos de indígenas e quilombolas, este grupo suprapartidário é responsável pela aprovação de leis que facilitam o uso de mais agrotóxicos.

No próximo dia 3 de dezembro, data em que celebra-se o Dia Internacional do Não Uso dos Agrotóxicos, a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida convoca os cidadãos brasileiros a se unir para exigirmos comida sem veneno. Para isso, é fundamental que o congresso defenda a saúde da população e a agricultura familiar, responsável pela produção de 70% dos alimentos que chegam à nossa mesa.

Além disso, a Campanha defende ainda o fim da pulverização aérea, prática utilizada pelo agronegócio, e a reforma política, de maneira a reduzir o peso dos interesses econômicos e viabilizar nossa representação na Câmara e Senado. Os ruralistas defendem os interesses de cerca de 1% dos proprietários de terra do Brasil, que dominam 44% das áreas brasileiras agricultáveis. Esta é apenas mais uma mostra das distorções de representação do nosso legislativo.

Aulas públicas, panelaço, panfletagem, “feira dos envenenados”. Vale um pouco de tudo. A ideia principal da campanha é demarcar a data nacionalmente e ir às ruas mostrar que a luta contra os agrotóxicos se vincula a um governo progressista, e às ideias da reforma política e participação popular.

Atividades já estão confirmadas em diversos estados. Em breve a agenda será divulgada. Contate a Secretaria Operativa da Campanha (pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.) para saber mais sobre as mobilizações em seu estado e monte também alguma atividade em sua cidade.

O 2º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente, reuniu academia, gestão pública e movimentos sociais para debater o tema “Desenvolvimento, Conflitos Territoriais e Saúde: Ciência e Movimentos Sociais para a Justiça Ambiental nas Políticas Públicas”. O Simpósio contou com 25 trabalhos relacionados à questão dos agrotóxicos, seja na denúncia dos seus efeitos na saúde, seja nas possibilidades de superação do modelo químico-dependente imposto pelo agronegócio através da agroecologia.

A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida esteve presente desde a organização do encontro até a participação oficinas, mesas e grupos de debate.

Veja a Carta da Campanha, notícias sobre o evento e a Carta final do II SIBSA.

 

Testes com animais demonstram alteração no funcionamento de células nervosas; estudos nos EUA, na China e no Brasil também sugerem aumento no risco de depressão em seres humanos

Em sua fazenda no estado do Iowa, nos Estados Unidos, Matt Peters trabalhava do nascer ao pôr do sol plantando 1500 acres com sementes tratadas com pesticidas. "Sempre me preocupava com ele nas primaveras", diz a esposa Ginnie, "e me sentia aliviada quando ele terminava o trabalho". Em 2011, o marido "calmo, racional e carinhoso" se tornou subitamente deprimido e agitado. "Ele me disse: 'Eu me sinto paralisado'", conta. "Ele não conseguia dormir ou pensar. Do nada, ficou deprimido".

 

Matt, aos 55, tirou sua própria vida. Ninguém sabe o que engatilhou sua mudança súbita de humor e comportamento. Mas, desde a morte do marido, Ginnie se lançou em uma missão para não apenas conscientizar as pessoas sobre o suicídio em famílias de agricultores, como também para chamar atenção para as crescentes evidências de que os pesticidas podem alterar a saúde mental dos agricultores.

 

Carga contrabandeada do Paraguai, avaliada em quase R$ 1,5 milhões, tinha como destino a cidade de Sinop
 
MAU À SAÚDE - PRF intercepta agrotóxicos em BR/Foto: Assessoria

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu, no final da tarde de sexta-feira (17), três toneladas de agrotóxicos contrabandeados do Paraguai.  A carga ilegal e totalmente prejudicial à saúde humana e do meio ambiente estava em uma carreta Volvo/FH, conduzida por um homem de 42 anos.

O motorista foi interceptado  durante uma fiscalização de rotina da PRF no km 258 da BR-364, próximo ao município de Juscimeira (a 165 km de Cuiabá). A carga dos defensivos agrícolas é avaliada em quase R$ 1,5 milhões.

Segundo a PRF, o carregamento seria levado a Sinop (a 500 km de Cuiabá). O condutor da carreta foi detido e a ocorrência foi encaminhada à Polícia Rodoviária de Rondonópolis.  

De acordo com policial rodoviário, Ênio Cléber, o crime é de natureza gravíssima, pois os agrotóxicos não são selecionados e podem provocar sérios danos à saúde humana e ao meio ambiente ao contaminar o lençol freático.

Para  exemplificar os malefícios do produto ele citou a pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso que, há dois anos, detectou presença de agrotóxicos no leite materno de mulheres  de Lucas do Rio Verde (a 333 km de Cuiabá) – município que  é referência no Estado em produção agrícola. “Ou seja, os danos à sociedade que esses agrotóxicos podem causar são imensuráveis”.

Por Viviane Tavares
Da Fiocruz

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Embora trágico, isso já não é mais novidade. No entanto, recentes pesquisas latino-americanas mostram que, além da intoxicação via alimentos, os trabalhadores também tem sofrido com esse impacto. E essa realidade está longe de ser mudada. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na safra 2010/2011, o consumo foi de 936 mil toneladas de agrotóxicos, movimentando US$ 8,5 bilhões entre dez empresas que controlam 75% desse mercado no país.

No artigo "Uso de agrotóxicos no Brasil e problemas para a saúde pública", publicado na última edição dos Cadernos de Saúde Pública, as autoras Raquel Maria Rigotto, Dayse Paixão e Vasconcelos e Mayara Melo Rochaafirmam que entre 2007 e 2011, de acordo com os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), houve um crescimento de 67,4% novos casos de acidentes de trabalho não fatais devido aos agrotóxicos. No mesmo período, as intoxicações aumentaram 126,8%. Entre as mulheres, o crescimento foi ainda maior, 178%.

 

Para as pesquisadoras, os agrotóxicos constituem hoje um importante problema de saúde pública, "tendo em vista a amplitude da população exposta nas fábricas de agrotóxicos e em seu entorno, na agricultura, no combate às endemias e outros setores, nas proximidades de áreas agrícolas, além de todos nós, consumidores dos alimentos contaminados", explicam no artigo.

 

Por Laudenice Oliveira (Assessoria Centro Sabiá)

Terça-feira, 13 de outubro, início da noite, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, em Pernambuco, junto com movimentos e organizações sociais do estado, realizou uma ação no centro do Recife para denunciar o uso de agrotóxicos nos alimentos consumidos pela população. A atividade foi um adesivaço  no supermercado Bompreço do Parque Amorim, rede Walmart, e um aulão na  praça  Parque Amorim, no  Centro do Recife.

No Bompreço, foram aplicados adesivos em frutas, verduras e produtos industrializados com a informação de que agrotóxico mata.  Na praça, realizou-se o aulão, onde a pesquisadora da Fiocruz, Idê Gurgel, destacou os perigos que as pessoas correm ao consumirem produtos produzidos com agrotóxicos. Alexandre Henrique Pires, coordenador do Centro Sabiá, também fez uma fala sobre produção agroecológica e a importância dos produtos agrícolas produzidos sem agrotóxicos para a segurança alimentar das pessoas do campo e da cidade.

Ele também estimulou os presentes a comprarem e divulgar a existência das feiras agroecológicas já existentes na nossa cidade.

Acesse as fotos do ato aqui

O pesquisador Pedro Henrique de Abreu defendeu este ano, na Unicamp, dissertação de mestrado que em que investigou a viabilidade do uso seguro de agrotóxicos. A conclusão é taxativa:  "[não existe] viabilidade de cumprimento das inúmeras e complexas medidas de “uso seguro” de agrotóxicos no contexto socioeconômico destes trabalhadores rurais."

Pedro visitou 81 unidades de produção familiar em 19 comunidades no município de Lavras, MG. Ele usou como referência os manuais de segurança da indústria química e do Estado e tentou verificar a viabilidade do cumprimento destas normas na agricultura familiar.

Foram diversos os aspectos verificados que puderam derrubar o mito de que existe um possível uso seguro de agrotóxicos:

- Aquisição: é feita sem perícia técnica, a receita é fornecida por funcionários das lojas, e os agricultores não recebem instruções na hora da compra;

- Transporte: é feito nos veiculos disponíveis, sem os requerimentos de segurança, e os agricultores não recebem os documentos de segurança necessários;

- Armazenamento: é feito nas construções disponíveis no estabelecimento, e o tamanho das propriedades impede que seja respeitada a distância segura das casas e fontes de água; e

- Lavagem dos EPIs é entendida como atividade doméstica comum por falta de informação, e portanto ocorre sem nenhum cuidado.

A dissertação defendida no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Unicamp foi orientada por Herling Alonzo, e aprovada por uma banca formada por Raquel Rigoto e Heleno Correa Filho.

Veja o texto completo aqui.

 

Adital

A cidade de Pergamino, localizada a mais de 200 quilômetros da capital argentina, ainda na Província de Buenos Aires, é uma região promissora e com terras produtivas, contudo, seu potencial vem sendo utilizado quase que unicamente para a produção de transgênicos. Esse tipo de cultivo, como já é de conhecimento comum, demanda grande quantidade de agrotóxicos, fumigados por terra e pelo ar, causando uma série de problemas graves de saúde. Nadando contra a corrente, um pequeno grupo fundou a "Assembleia pela Proteção da Vida, da Saúde e do Meio Ambiente de Pergamino”.

A iniciativa surgiu após a professora Sabrina Ortiz, moradora do bairro General San Martín, em frente a um campo de soja, sentir na própria carne o efeito avassalador dos agrotóxicos. Um produtor vizinho fumigava seus cultivos sem se importar com a hora ou com o vento e isso fazia com que o agroquímico chegasse até dentro da casa de Sabrina. Em março de 2011, após sentir irritação nos olhos, náuseas e mal estar, a professora sofreu um aborto. Sabrina fez a denúncia às autoridades locais, mas não teve êxito. A resposta veio do produtor, que atirou no cachorro da família.

A professora não desistiu e foi à Promotoria denunciar, mas também não obteve apoio. Em março de 2013, as fumigações foram retomadas e o poder público local continuou sem tomar qualquer atitude em favor da população afetada. Após muita pressão, inspetores municipais foram verificar a situação, mas alegaram "falta de provas”, apesar de terem em mãos fotos recentes dos tratores fumigando.

Depois de oito anos de pesquisas, o grupo GEMA da UNRC elaborou um relatório em que confirma a vinculação "clara"  do glifosato com mutações genéticas que podem derivar em câncer, gerar abortos espontâneos e má-formação fetal.

Por Darío Aranda | Página 12

Oito anos de pesquisa, quinze publicações científicas e uma certeza: os agrotóxicos causam alterações genéticas e aumentam as probabilidades de contrair câncer, sofrer abortos espontâneos e nascimentos com malformações. A declaração vem do Grupo de Genética e Mutagêneses Ambiental (GEMA), pesquisadores da Universidade Nacional de Río Cuarto (UNRC), que confirmaram com estudos em pessoas e animais, as consequências sanitárias do modelo agropecuário. Glifosato, endosulfam, atrazina, clorpirifos e cipermetrina são alguns dos agrotóxicos prejudiciais. “A vinculação entre alteração genética e câncer é clara”, reafirmou Fernando Mañas, pesquisador da UNRC.

“La genotoxicidad del glifosato evaluada por el ensayo cometa y pruebas citogenéticas” é o título que leva a pesquisa publicada na revista científica Toxicologia Ambiental e Farmacologia (da Holanda). O trabalho descreve o efeito genotóxico (o efeito sobre o material genético) do glifosato sobre células humanas e ratos, que, inclusive, confirmaram alterações genéticas em células humanas com doses de glifosato em concentrações até vinte vezes inferiores às utilizadas nas pulverizações em campo.

Fonte: http://www.mppa.mp.br/index.php?action=Menu.interna&id=4380&class=N
 
Em reunião ocorrida na data de hoje, 18, no Ministério Público do Estado, entre o Instituto Evandro Chagas e a Promotoria de Justiça da I Região Agrária do Pará, foi realizada a apresentação dos resultados de Avaliação das águas superficiais e sedimentos numa área de 840 km2, localizada na região do dendê no baixo-tocantins.

A escolha da área investigada decorreu da apuração das denúncias constantes no Relatório intitulado “Expansão do dendê na Amazônia Brasileira: elementos para uma análise dos impactos sobre a agricultura familiar no nordeste do Pará” elaborado pelo Repórter Brasil, com apoio da FASE.

Segundo o IEC foram coletadas amostras em 18 pontos da área que está localizada entre os Municípios de São Domingos do Capim, Concórdia do Pará, Bujaru e Acará. Dos 18 pontos coletados foram identificadas áreas contaminadas em 14 pontos, verificando-se a presença de agrotóxico que segundo a ADEPARÁ é utilizado na cultura do dendê, bem como cianobactérias, provenientes de carga orgânica que podem ter relação com a quantidade de agrotóxicos utilizados na área. A detecção destes compostos pode estar associada aos relatos das comunidades do local que se queixam de coceiras, erupções na pele, doenças em animais como galinhas e patos.

Associação posiciona-se sobre o uso de mosquitos geneticamente modificados: "A Abrasco vem se manifestar contrária a autorização pela Anvisa e pela SVS/MS de utilização de mosquitos transgênicos para o controle vetorial da dengue."

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva recebeu com grande preocupação a cópia da transcrição da 171ª Reunião Ordinária da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança –  CTNBio – de 03/05/2014 em que autoriza a liberação comercial de mosquitos transgênicos.

As decisão da CTNBio ocorreu no contexto em que uma fábrica de produção de mosquitos transgênicos já estava instalada na  cidade de Campinas – SP. Os mosquitos transgênicos serão usados para pesquisa e combate ao  vetor da dengue, o mosquito Aedes aegypti, no país.

A responsável pela produção é empresa inglesa de biotecnologia Oxitec. A instalação da fábrica de mosquito  começou em 2013. A equipe técnica é formada basicamente por especialistas estrangeiros, que na Europa desenvolvem biotecnologias adotadas pela indústria farmacêutica para a malária e febre amarela.

Policiais Militares Ambientais de Dourados (MS) foram nesta sexta-feira (19) até uma empresa de aviação agrícola em Jateí (MS), devido à denúncias de que moradores da Gleba Nova Esperança, localizada naquele município, tinham passado mal depois de aplicação de agrotóxicos com uso de aviões em canavial de uma usina sucroalcooleira de Ivinhema (MS), no dia 14 deste mês.

Segundo a PMA, moradores confirmaram que tiveram náuseas, vômitos e irritação na garganta, devido a resíduos do agrotóxico. A empresa foi multada em R$ 54 mil e seus responsáveis responderão por crime ambiental, previsto pelo artigo 56 da Lei 9.605/1998 de: produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos. 

Se condenados, eles poderão pegar pena de um a quatro anos de reclusão.

Nos dias 9 e 10 de setembro, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida realizou uma reunião nacional com participação de diversas organizações e comitês regionais.

A Campanha se reafirma como uma articulação nacional que luta para denunciar os efeitos dos venenos e do agronegócio e anunciar novos modos de organização da produção agrícola através da agroecologia.

Na reunião, foi lançado o novo panfleto da Campanha, que deve ser distribuído entre os comitês e entidades que compõe a campanha.

Como linhas de ação específicas, a Campanha segue denunciando o uso de agrotóxicos no Brasil proibidos em outros países. Após banir o Metamidofós e o Endossulfam, a Anvisa engavetou o processo de outras substâncias que já têm pareceres prontos desde 2012 indicando o banimento.

A PAN - Pesticide Action Network, organização que luta contra os agrotóxicos no mundo, renovou a lista de agrotóxicos altamente perigosos. Os critérios foram atualizados e com isso, a publicação serve como guia para orientar ações pela proibições deste venenos.

Veja matéria sobre o lançamento e veja o relatório completo.

do Gôndola Segura

Segundo o Professor Paulo Kageyama, que agora esta de volta como membro da CTNBIO a audiência foi importante porém criticou o formato da audiência, onde segundo ele, foi possível perceber mais argumentos a favor da liberação do que contrário além da direção não abrir para mais pessoas poderem se manifestar. 

Segundo o ex-membro da CTNBIO,  Dr. Leonardo Melgarejo, representando o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a empresa Futuragene havia lotado o auditório com seus 45 funcionários e terceirizados, ironizando. Melgarejo fez uma apresentação extremamente coerente, segura e ética. Demonstrou as deficiências do pedido de liberação e após assistirmos a própria empresa apresentar seus resultados, estava claro a fragilidade do processo de pesquisa até o presente momento.

Não obstante, tivemos momentos de comoção, quando um apicultor que comenta ter participado do experimento da empresa Futuregene (Suzano), requerente da autorização/uso comercial do eucalipto transgênico fez um discurso extremamente emotivo, ao se auto declarar um "observador" desse experimento certificando-se com propriedade: "as abelhas continuam até picando igual, nada mudou nesse período de testes".

alantygel

da Associação Brasileira de Agroecologia

O Brasil é há anos o campeão mundial no consumo de agrotóxicos. É nesse cenário que os movimentos sociais ligados à agricultura familiar camponesa vêm lutando em defesa de um modelo mais justo e saudável. Criada em 2011, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida, composta por mais de 50 entidades e diversos segmentos da sociedade civil, tem lutado por transformações nessa conjuntura. Reduzir os impactos dessa substância na saúde da população brasileira é um dos seus objetivos.

Nesse mês haverá uma reunião nacional para rearticulação do movimento e a construção de novas estratégicas. Para entender em que pé estão as atividades da organização, a ABA conversou com Alan Tygel, da direção nacional, sobre os temas de atuação da Campanha. Doutorando em informática na UFRJ, o militante destacou a importância de conscientizar a população sobre os efeitos dos agrotóxicos na população brasileira e mundial. Na página da organização é possível ver mais informações nesse sentido.

O Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul (MPF/RS) e outras entidades participantes do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos alertam para a urgência da proibição da venda no estado do paraqua, herbicida altamente perigoso para os humanos. O alerta foi feito em nota, aprovada em plenária do Fórum.

O encontro teve como objetivo informar aos participantes sobre as ações desenvolvidas pelas comissões criadas pelo Fórum.

A informação é publicada pelo Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul (MPF/RS), 19-08-2014.

Nota de repúdio ao uso do paraquat no Estado do RS

O Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, espaço permanente, plural, aberto e diversificado, o qual visa a debater questões relacionadas aos impactos negativos dos agrotóxicos e produtos afins na saúde do trabalhador, do consumidor, da população e do meio ambiente, possibilitando a troca livre de experiências e a articulação em rede da sociedade civil, instituições e Ministério Público, vem, por meio desta Nota Pública, manifestar profunda insatisfação quanto à liberação da distribuição e comercialização, no Estado do Rio Grande do Sul, de venenos agrícolas à base do ingrediente ativo paraquat, por conta de recentes decisões judiciais.

O alto índice de contaminação de lavouras convencionais por lavouras transgênicas viola os direitos humanos e prejudica o meio ambiente, segundo denunciaram participantes de audiência pública realizada nesta quarta-feira (6) pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

O representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, explicou que as sementes transgênicas não são democráticas, ou seja, não podem conviver com outros tipos de sementes sem contaminá-las. Stédile destacou que o uso de transgênicos representa a introdução da propriedade privada nas sementes e deixa os pequenos agricultores sem oportunidade de escolha.

- Hoje, é praticamente impossível os pequenos agricultores terem segurança que vão plantar algo convencional e não vão colher transgênicos – lamentou.

O professor da Escola Superior de Agricultura da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Kasgeyam, explicou que a contaminação das lavouras é feita pelo vento e, no caso do milho transgênico, pela norma da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), o produtor deve respeitar uma distância de 100 metros ou de 20 metros vazios mais 10 fileiras de milho das lavouras vizinhas para evitar a contaminação.

Academia e movimentos sociais juntos para melhorar a qualidade da saúde dos trabalhadores do interior do país. A força dessa ideia ganhou materialidade ontem, 13 de agosto, na primeira audiência pública entre poderes instituídos, trabalhadores e movimentos sociais do município de Lagoa da Confusão, no Tocantins. Cerca de cem pessoas, entre pesquisadores, membros do Ministério Público, trabalhadores agrícolas e do setor do turismo, estudantes e demais funcionários públicos debateram os impactos nocivos do agronegócio à saúde humana e a importância da constituição de um plano participativo para trazer benefícios à saúde dos trabalhadores e do ambiente.

Conhecida por ser a porta de entrada do Parque Nacional do Araguaia e da Ilha do Bananal, Lagoa da Confusão não se destaca apenas pelo ecoturismo e por suas riquezas naturais: o município é também um dos maiores produtores e beneficiadores de grãos do Estado. A produção se concentra em aproximadamente 46 grandes fazendas que atraem mão de obra do Paraguai na época da colheita, fazendo a população local saltar de 10 mil para 18 mil habitantes durante a safra. Condições precárias e análogas ao trabalho escravo já foram identificadas entre os anos de 2007 e 2014. A alta produtividade carrega consigo o largo de uso de agrotóxicos. Nos últimos anos, foram notificadas seguidas intoxicações, além de mortes não identificadas na última colheita.

Estudo sugere: doença ainda inexplicada, que destrói rins e já matou milhares de agricultores, pode estar relacionada ao glifosato, herbicida-líder da transnacional

Por Jeff Ritterman, no Truthout | Tradução Maria Cristina Itokazu

O herbicida Roundup, da Monsanto, foi vinculado à epidemia de uma misteriosa doença renal fatal que apareceu na América Central, no Sri Lanka e na Índia.

Há anos, os cientistas vêm tentando desvendar o mistério de uma epidemia de doença renal crônica que atingiu a América Central, a Índia e o Sri Lanka. A doença ocorre em agricultores pobres que realizam trabalho braçal pesado em climas quentes. Em todas as ocasiões, os trabalhadores tinham sido expostos a herbicidas e metais pesados. A doença é conhecida como CKDu (Doença Renal Crônica de etiologia desconhecida). O “u” (de “unknown”, desconhecido) diferencia essa enfermidade de outras doenças renais crônicas cuja causa é conhecida. Poucos profissionais médicos estão cientes da CKDu, apesar das terríveis perdas impostas à saúde dos agricultores pobres, de El Salvador até o sul da Ásia.

Catharina Wesseling, diretora regional do Programa Saúde, Trabalho e Ambiente (Saltra) na América Central, pioneiro nos estudos iniciais sobre o surto ainda não esclarecido na região, diz o seguinte: “Os nefrologistas e os profissionais da saúde pública dos países ricos não estão familiarizados com o problema ou duvidam inclusive que ele exista”.

Wesseling está sendo diplomática. Na cúpula da saúde de 2011, na cidade do México, os EUA rechaçaram uma proposta dos países da América Central que teria listado a CKDu como uma das prioridades para as Américas.

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