Notícias

Da Página do MST

O glifosato, também conhecido como “mata-mato”, é o herbicida mais utilizado no Brasil e no mundo.

Comercializado pela Monsanto com o nome de Round Up, o agrotóxico mata praticamente todos os tipos de plantas, exceto as geneticamente modificadas para serem resistentes.

Estudos realizados em todo o mundo confirmam os malefícios do uso do glifosato para o corpo humano, entre eles, está a inibição do Citocromo, uma enzima para o funcionamento natural de muitos sistemas biológicos, a queda nos níveis de triptofano e, consequentemente, serotonina, condição associada ao ganho de peso, depressão, mal de Parkinson e de Alzheimer, aumento de células cancerosas e, por ser considerado um xenoestrogênio (substância sintética que age de forma similar ao hormônio feminino estrogênio), está também associado a casos de puberdade precoce, problemas de tireóide e infertilidade, má-­formação de fetos e autismo.

Recentemente estudos publicados no International Journal of Environmental Research and Public Health sugeriram a ligação do glifosato com a doença crônica renal de origem desconhecida (CKDu, na sigla em inglês), que afeta principalmente os produtores de arroz no Sri Lanka. Essa descoberta fez com que o país fosse o primeiro no mundo a proibir a venda e o uso do pesticida em todo o seu território.

Por Maura Silva
Da Página do MST

O Ministério Público do Estado do Paraná enviou ao Conselho Estadual de Educação uma notificação na qual recomenda a revisão do conteúdo e metodologia utilizados no programa “Agrinho”, promovido pela FAEP (Federação da Agricultura no Estado do Paraná).  

O programa tem como objetivo a formação de professores e dos alunos para a utilização do uso de agrotóxicos, tratando o tema como fator necessário para a expansão da economia agrária no país.

Após analises, o Ministério Público entendeu que o conteúdo metodológico do “Agrinho” omite conteúdos importantes, como a agroecologia, soberania e segurança alimentar, agricultura familiar, biodiversidade dos agroecossistemas, além de comprometer outros aspectos relacionados à funcionalidade e fertilidade dos sistemas fundamentais para a qualidade de vida e sustentabilidade futura.

Outra questão apresentada é que o método de formação de educadores é de alçada e competência do poder público, e não cabe a entidades de qualquer natureza a intervenção neste processo.

Atrelado a isso, o programa contraditoriamente incorpora mensagens subjetivas e até mesmo objetivas muito mais voltadas à racionalização do uso de agrotóxicos, fator que não retrata e condiz com a realidade vivida pela população escolar do campo.

O documento sugere a adoção de medidas que impeçam a participação das escolas, professores e alunos das redes públicas ou privadas de ensino, municipais e estaduais, no Programa.

Até o momento, o CEE do Paraná não se pronunciou sobre o pedido do Ministério Público.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, anualmente, 500 mil a 1 milhão de pessoas sofrem contaminações graves por agrotóxicos, das quais de 5 a 10 mil casos são fatais. Somente no Paraná, entre 1982 e 1990, mais de nove mil pessoas foram contaminadas por agrotóxicos, determinando a morte de 546 pessoas.

Para conferir o parecer do MP, clique aqui.

“Partido do Agronegócio”

Em recente entrevista à Página do MST, o professor doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rodrigo Lamosa, falou sobre a estratégia de inserção do agronegócio nas escolas públicas do país.

A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), por exemplo, realiza o Programa Educacional Agronegócio na Escola, em que a “associação incorpora os professores da Educação Básica enquanto intelectuais orgânicos de ‘baixa patente’ como verdadeiros funcionários responsáveis por ‘valorizar a imagem do agronegócio’”, observa Lamosa.

Por meio de cursos de formação oferecidos pela ABAG, os professores acabam sendo responsáveis por criarem nas escolas os projetos de valorização da imagem do agronegócio, mediados pela cartilha “Agronegócio: sua vida depende dele”, pelas formações que recebem por meio de palestras e em visitas programadas nas empresas.

Desta maneira, Lamosa, que também é autor do artigo “A Hegemonia do Agronegócio: o capital vai à escola e forma seus novos intelectuais”, acredita que a ABAG se consolidou como o “Partido do Agronegócio” no Brasil.

Nesta quarta-feira (3), Dia Internacional do Não Uso dos Agrotóxicos, militantes e povos indígenas do Tocantins realizaram, em Brasília, um ato público em frente a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão responsável pela avaliação e liberação do uso de transgênicos no Brasil.

(Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida)

O evento é organizado pela Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, que é uma articulação entre diversos movimentos sociais, sindicatos e setores de toda a sociedade civil. O movimento, entre outras reivindicações,  defende que a CTNBio seja refundada.

Indígenas ocupam plenário da CTNBio em Brasília para denunciar liberação de transgênicos e agrotóxicos

A campanha existe há quatro anos, muito motivada pela mobilização contra os impactos dos agrotóxicos à saúde pública, que atingem diversos territórios e envolvem diferentes grupos populacionais, como trabalhadores e trabalhadoras rurais, habitantes do entorno das fazendas, além de toda a população brasileira, que de um modo direto ou indireto acaba consumindo alimentos contaminados. Desde 2008, o Brasil se consolidou entre os principais consumidores de agrotóxicos do mundo.

Os transgênicos foram apresentados com a finalidade de “revolucionar” a produção de alimentos, proporcionando menos uso de agrotóxicos e menor impacto ambiental.

3 de dezembro de 2014

Por João Pedro Stedile
Do Portal Uol

O Brasil consome mais de um bilhão de litros de venenos agrícolas por ano. Isso representa 20% de todos os venenos consumidos no mundo, embora sejamos responsáveis por apenas 3% da produção agrícola mundial.

Despejamos 15 litros de venenos por hectare cultivado. Essa realidade não tem paralelo com nenhuma agricultura do mundo, nem há nenhum manual de agronomia que faça tal recomendação.

Esses venenos de origem química são produzidos por poucas grandes empresas transnacionais. Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), somente as dez maiores empresas do setor foram responsáveis por 75% das vendas de agrotóxicos na última safra.

Isso lhes permite a maior taxa de lucro do mundo: US$ 8,5 bilhões de dólares na safra 2010/2011, e ainda desovam por aqui seus estoques de venenos proibidos em outros países.

Os venenos matam. Matam a biodiversidade existente na natureza, já que o agronegócio visa ao monocultivo absoluto, seja de soja, milho, algodão, cana ou pastagem extensiva. Mata os nutrientes, empobrece o solo e contamina o lençol freático fazendo com que muitas cidades com poço artesiano encontrem resíduos inaceitáveis para o consumo humano.

Em Belém (PA)
https://www.facebook.com/events/661750180611895/
Sessões de cine-debate em Belém do Pará, por menos veneno e mais comida!
(às 9h) Auditório do MAFDS, Núcleo de Ciências Agrárias da UFPA
(às 16h) Auditório da FANUT, Faculdade de Nutrição da UFPA
(às 16h) Auditório do Bloco F, Faculdade de Nutrição da UNAMA

Redenção (PA)
19:00 - Ato no Cineclube Boca da Mata - Câmara Municipal da Redenção
Exibição do Veneno está na Mesa 2

São Paulo (SP)
O QUE: Ações informativas para a população alertando para os perigos dos Agrotóxicos.
COM QUEM: CUT e sindicatos filiados
DATA E LOCAL: dia 03/12 à partir das 11h na Praça do Patriarca, centro de São Paulo.

Também em São Paulo:
Seminário 30 de anos de Bhopal
9:00 as 17:00 na Fundacentro
Rua Capote Valente,710 - Cerqueira Cesar, Capital-SP
http://www.fundacentro.gov.br/…/seminario-alusivo-aos-30-an…

Campinas (SP):
https://www.facebook.com/events/1546718505573796/...
Com direito à programação estendida de filmes durante a semana do dia 03/12.
http://www.preac.unicamp.br/casadolago/?p=3585

São Carlos (SP):
Das 11h30 as 13h30 no RU da UFSCar, exibição do filme: O Veneno Está na Mesa II
https://www.facebook.com/events/382608931910157/

Rio de Janeiro (Cinelândia):
15 às 21h | Exposição de Fotos e Outras Intervenções
18h | Aula Pública (Representantes da Fiocruz, da Campanha e Depoimento de Agricultor/a)
19h30 | Exibição do Filme "Agricultura da Morte" e Curta Agroecologia

Rio das Ostras (RJ)
18:00h Exibição do filme nuvens de veneno
Prédio Multiuso - UFF/Rio das Ostras

Macaé (RJ):
Panfletagem e exibição de filmes durante o II Fórum em Humanidade do NUPEM/UFRJ - Macaé

Porto Alegre (RS):
17:30 na Esquina Democrática
www.facebook.com/events/755261654527794/?ref=2&ref_dashboard_filter=upcoming

Brasília  (DF)
8:00 em frente à CTNBio
com o comitê da Campanha e Via Campesina

Cuiabá (MT):
https://www.facebook.com/events/716732881745670/?notif_t=plan_user_invited

Curitiba (PR):
12h na Boca Maldita

Irati (PR):
11h: Ato na Rua Munhoz da Rocha, ao lado do Banco do Brasil

Belo Horizonte (MG):

De 8 às 17h, na Praça Sete.

Inconfidentes (MG):
8 as 16h na praça Tiradentes;
17h: Palestra no Auditório da Escola-Fazenda
20:30: CineUai: Agricultura Tamanho Família

Juiz de Fora (MG):
17h: Aula Pública no Parque Halfeld
18:30h: O veneno está na mesa 2 - Auditório João Carriço

Joinvile (SC):
Vídeo-Debate: O veneno está na mesa 2
02/12 - 19:15: na Casa Iririú
03/12 - 19:15: no Centro de Direitos Humanos - CDH Joinville

Recife (PE):
09:00 no Mercado São José

Goiania (GO):

9:00h as 12h - Sala T15 Edifício do MPT-GO - Lançamento do Fòrum Estadual de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos de Goiás
17h: Mercado da Vila Nova: Feira de Orgânicos, Palestra sobre agroecologia e lançamento do filme o Veneno está na mesa II

Goiania (GO):
Praça do Bandeirante, no Centro de Goiânia, a partir das 9 horas, a Feira dos Envenenados

Cidade de Goiás (GO)
Dia 03/12: panfletagem impressa do material da campanha produzido para o dia na Universidade Federal de Goiás, Campus Cidade de Goiás, na Unidade Estadual de Goiás Unidades Universitárias da Cidade de Goiás e Itaberaí, e também no Insituto Federal de Goiás Campus Cidade de Goiás;
Dia 07/12: Lançamento do Comitê de Apoio ao Acampamento Dom Tomás Balduíno, do MST, em Corumbá de Goiás, que reúne 3,5 mil famílias acampadas, fazer panfletagem e debate sobre a campanha. O acampamento está localizado na fazenda do senador Eunício de Oliveira, do PMDB do Ceará. Um latifúndio de cerca de 30.000ha, que em partes do terreno produz soja e rebanho bovino.

Salvador (BA):
Amanhã realizaremos uma intervenção de panfletagem e cartazes na V Feira Baiana de Agricultura Familiar Solidária, que acontece no Parque de Exposições de Salvador, às 9h da manhã. Mandaremos fotos após o ato, se puderem dar uma divulgada hoje à noite seria ótimo!

Mucugê (BA) - Seminário sobre os impactos dos agrotóxicos na Chapada Diamantina (FBCA)

Santo Antônio de Jesus (BA) - panfletagem e feira de produtos da agricultura familiar e camponesa, promovidos pela ONG GANA (Grupo Ambientalista Nascentes)

Brumado (BA) 8h - Seminário no auditório da Uneb

Vitória (ES):
- PANFLETAGEM + PANELAÇO E/OU BATUCADA-BARULHO NO RU – UFES - CONCENTRAÇÃO A PARTIR DAS 10:00HS NO ELEFANTE BRANCO PRÓXIMO A BARRACA AGROECOLÓGICA;
- EXIBIÇÃO DO VÍDEO “O VENENO ESTÁ NA MESA II” (SILVIO TENDLER)
- AO TÉRMINO DA EXIBIÇÃO SERÁ REALIZADO PANELAÇO E/OU BATUCADA-BARULHO NA RUA JUNTAMENTE A PANFLETAGEM;

Aracajú (SE):

8h: Praça Fausto Cardoso

Ato Público de denúncia sobre os impactos e consequências do uso de agrotóxicos no Brasil.

https://www.facebook.com/events/589446904535407/

Augustinópolis (TO)

Exposição na praça de Augustinópolis com fotos e dados sobre os agrotóxicos durante todo o dia e à noite haverá exibição de documentários.

 

Hoje estamos em luta: veja a programação pelo Brasil!

Brasil, 3 de dezembro de 2014

Manifesto pelo Dia Mundial de Luta Contra os Agrotóxicos

Povo Brasileiro,

Neste dia 3 de dezembro, saímos às ruas em todo o país para denunciar o modelo da morte que domina a agricultura brasileira: o agronegócio.

Há exatos 30 anos, explodia a fábrica de agrotóxicos da Caribe Union, atual Dow Chemical, na cidade de Bhopal, Índia. Na tragédia, mais de 16.000 pessoas morreram, e pelo menos 560.000 foram gravemente intoxicadas.

Bhopal não foi um acidente. Assim como também não foi um acidente a chuva de venenos na escola de Rio de Verde (GO), e tantas outras tragédias anunciadas pela ganância daqueles que afirmam que a comida que nos alimenta só pode ser produzida com muito veneno. Eles lucram muito com isso.

Em 2013, o mercado de agrotóxicos rendeu US$11,5 bilhões. O lucro se concentra em 6 grandes empresas transnacionais: Monsanto, Basf, Syngenta, Dupont, Bayer (fabricante do gás letal usado pelos nazistas) e a Dow, que até hoje não reconhece sua responsabilidade sobre Bhopal.

Ano após ano, o Brasil bate recordes de consumo de agrotóxicos e sementes transgênicas. A população brasileira está sendo envenenada. Nas águas, no solo, nos alimentos, em pequenas doses diárias, ou em chuvas de veneno, temos contato com substâncias que causam câncer, levam ao suicídio, e provocam abortos espontâneos, entre outros vários efeitos.

A ciência comprometida com a saúde pública coletiva não tem dúvidas1. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), é preciso se “mobilizar frente à grave situação em que o país se encontra, de vulnerabilidade relacionada ao uso massivo de agrotóxicos.”

De acordo com estas instituições, os agrotóxicos causam danos à saúde extremamente graves, “como alterações hormonais e reprodutivas, danos hepáticos e renais, disfunções imunológicas, distúrbios cognitivos e neuromotores e cânceres, dentre outros. Muitos desses efeitos podem ocorrer em níveis de dose muito baixos, como os que têm sido encontrados em alimentos, água e ambientes contaminados. Além disso, centenas de estudos demonstram que os agrotóxicos também podem desequilibrar os ecossistemas, diminuindo a população de espécies como pássaros, sapos, peixes e abelhas.”

Por que tanto veneno?

A opção clara da política agrícola brasileira pelo agronegócio é a grande responsável pela situação. O agronegócio utiliza largas extensões de terras, os latifúndios, para plantar uma mesma espécie – normalmente soja, milho, algodão, eucalipto ou cana-de-açúcar. Dessa maneira, destrói a biodiversidade e desequilibra o ambiente natural, facilitando o surgimento de plantas, insetos ou fungos que podem destruir a plantação. Por isso, é uma agricultura dependente química: só funciona com muito veneno. O agronegócio também utiliza maquinário pesado, que compacta o solo, e não gera empregos, favorecendo assim o êxodo rural.

No legislativo brasileiro, um grupo de deputados e senadores de vários partidos formam a chamada Bancada Ruralista, que tem como objetivo incentivar o agronegócio, o trabalho escravo, o desmatamento, lutar contra a demarcação de terras indígenas, quilombolas e contra a reforma agrária.

Kátia Abreu (PMDB/TO), Ronaldo Caiado (DEM/GO) e Luis Carlos Heinze (PP/RS) são alguns dos expoentes desta bancada. Estes políticos se elegem graças a altíssimas cifras doadas nas campanhas pelas empresas do agronegócio, como a JBS, BRF e Marfrig, e na prática agem como empregados destas empresas dentro do congresso e do senado. Os ruralistas também dominam o Ministério da Agricultura, que recebeu a cifra de R$140 bilhões neste ano.

No ano passado, esta bancada aprovou uma lei (12.873/2013) que permite uso de agrotóxicos proibidos no Brasil por serem altamente nocivos, e já conseguiram até demitir funcionários das agências reguladoras que lidam com o tema. Após as eleições de 2014, os ruralistas declararam ter 51% do Congresso Federal. É necessária uma reforma política que decrete o fim das doações eleitorais de empresas para acabar com estas verdadeiras pragas da política brasileira.

Nós construímos uma alternativa: a agroecologia

Camponesas e camponeses do Brasil são aqueles que botam comida na nossa mesa. E somente elas e eles podem praticar a agroecologia. Agroecologia é um jeito de organizar a produção agrícola e a vida no campo em harmonia com a Natureza. Na agroecologia, se produzem diversos tipos de alimentos numa mesma área, fortalecendo assim a biodiversidade e deixando a natureza equilibrada. Desta forma, não é necessário usar agrotóxicos, nem fertilizantes sintéticos, e muito menos sementes transgênicas. A agroecologia também busca uma vida digna no campo, com saúde e educação adequadas à realidade do campo.

Repudiamos a tese de que pobres têm que comer veneno. Não há mais dúvidas de que podemos alimentar a população com a produção agroecológica. Até mesmo a ONU reconhece que a agroecologia é única solução verdadeira para a fome no mundo2, e pode inclusive ajudar a frear as alterações climáticas.

O que queremos?

A população brasileira está unida na luta pela fim dos agrotóxicos e em defesa da vida. Queremos Agroecologia.

Movimentos sociais do campo, da cidade, sindicatos, instituições públicas de pesquisa, estudantes, e inclusive o Ministério Público vem se articulando junto à Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

Nossa luta é por comida sem veneno e um congresso sem ruralistas, que represente de fato os interesses do povo.

De imediato, pedimos:

  • A proibição da prática criminosa da pulverização aérea, a exemplo do que ocorre na União Europeia;

  • O banimento de agrotóxicos já banidos em outros países do mundo;

  • O fim das vergonhosas isenções de impostos dadas aos agrotóxicos;

  • A criação de zonas livres de agrotóxicos e transgênicos, para o livre desenvolvimento da agroecologia;

  • Maior controle para evitar a contaminação da água por agrotóxicos.

Convocamos toda a população a se engajar nesta luta, através dos comitês da campanha espalhados pelo Brasil.

 

Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

 

 

1http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/em-nota-conjunta-fiocruz-inca-e-abrasco-alertam-para-o-risco-do-uso-de-agrot%C3%B3xicos

2http://www.srfood.org/en/report-agroecology-and-the-right-to-food

 

O dia 3 de dezembro é celebrado internacionalmente como Dia de Luta contra os agrotóxicos

De Belém à Porto Alegre, dezenas de cidades brasileiras já confirmaram mobilizações na próxima quarta-feira, 3 de dezembro, data em que se celebra o Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos. Os manifestantes vão denunciar os danos causados pelo modelo agrícola representado pela Bancada Ruralista e exigir mais estímulo à Agroecologia, uma alternativa à produção de alimentos saudáveis e com capacidade de garantir a segurança alimentar da população, através da agricultura familiar e camponesa.

Panorama

O Brasil se consagrou como o maior consumidor mundial de agrotóxicos desde 2008, ultrapassando os Estados Unidos. Desde então, mais de 1 bilhão de toneladas desses insumos são despejados nas lavouras brasileiras, sem contabilizar o uso doméstico e fitossanitário.  A grosso modo, cada brasileiro consome 5,2 litros desses insumos todos os anos, cujos danos à saúde, especialmente os crônicos, ainda não são de todo conhecidos.

Apesar de diversos estudos científicos comprovarem a associação dos agrotóxicos e cânceres, abortos, más-formações congênitas, alterações neurológicas e somáticas, Alzheimer, entre outros, o governo brasileiro continua a estimular o setor, através de isenção fiscal - os agrotóxicos têm 60% de isenção do ICMS, e muitos ainda possuem 100% de isenção do IPI, PIS/PASEP e COFINS. Em 2013, o mercado de agrotóxicos movimentou aproximadamente US$11,5 bilhões. Contudo, pesquisas recentes apontam que, para cada US$1 gasto com agrotóxicos, são gastos U$1,28 para cuidar de casos de intoxicação agudas no SUS.

O Agronegócio é o maior responsável por esse modelo que privilegia as monoculturas, facilitando a difusão das chamadas “pragas” agrícolas, e a exportação de commodities, não contabilizando os danos à saúde provocados na população. Embora o setor seja responsável por apenas 30% do que chega às mesas dos brasileiros, a contaminação causada por esses insumos é sistêmicas, visto que a presença de agrotóxicos já foi detectada no solo, água, ar e até mesmo na chuva e no leite materno.

Reivindicações

A data está sendo promovida no Brasil pela Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida, que reúne agricultores, ao lado de membros de instituições científicas, movimentos sociais e setores do poder público preocupados com os efeitos dessas substâncias na saúde da população e no ambiente brasileiro.

As principais reivindicações da Campanha são:
• A proibição da prática ineficiente pulverização aérea (que atinge no máximo 30% do alvo), a exemplo do que ocorre na União Europeia;
• O banimento de agrotóxicos já banidos em outros países do mundo (dos 50 agrotóxicos mais usados no Brasil, 22 já foram proibidos na União Europeia, por exemplo);
• O fim das isenções de impostos dadas aos agrotóxicos;
• A criação de zonas livres de agrotóxicos e transgênicos, para o livre desenvolvimento da agroecologia
• Maior controle para evitar a contaminação da água por agrotóxicos.

O Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos

A data foi estabelecida pela Pesticide Action Network (PAN) para recordar as 30 mil pessoas falecidas (8 mil morreram nos três primeiros dias), muitas delas crianças, na catástrofe de Bhopal, Índia, ocorrida em 1984. Na tragédia, vazaram 27 toneladas do gás tóxico metil isocianato, químico utilizado na elaboração de um praguicida da Corporación Union Carbide, em uma zona densamente povoada. 560 mil pessoas continuam com sequelas do acidente até hoje a corporação, incorporada a Dow Química, não indenizou as vítimas.

Mais informações
http://www.contraosagrotoxicos.org/
https://www.facebook.com/events/312915832229013/

Contatos para Imprensa

Alan Freihof Tygel – Coordenador de Comunicação da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida - (21) 9 8085 8340
Fran Castro – Coordenação da Campanha - (65) 9972 5709
Marciano Toledo – Coordenação da Campanha - (61) 9681 6747

Email: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Mais materiais para imprensa em: https://www.dropbox.com/sh/6448zzgaunkbymd/AADiwCXyUOOHKHF713pZ9XZUa?dl=0

 

 

Mobilizações contra os agrotóxicos tomarão às ruas em 23 cidades brasileiras

Confira as atividades já confirmadas

 

 

De um pouco depois da alvorada a Praça Fasto Cardoso, em Aracaju (às 9h), até depois do fim do expediente comercial na Cinelândia, centro do Rio, nesta quarta-feira a população vai às ruas pedir o fim do apoio governamental a um modelo agrícola que requer altas doses de insumos químicos para alimentar às pessoas.

 

Belém, Recife, Joinville (SC), Rio de Janeiro, Macaé (RJ), Curitiba, Porto Alegre, Goiânia etc. Dezenas de cidades brasileiras já confirmaram atos públicos no dia 3 de dezembro, data em que celebra-se o Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos. Confira as atividades já confirmadas nas cidades:

 

  • Aracaju (SE)

 

8h: Praça Fausto Cardoso

 

Ato Público de denúncia sobre os impactos e consequências do uso de agrotóxicos no Brasil.

 

https://www.facebook.com/events/589446904535407/

 

 

Praça Iria Diniz - Avenida João César De Oliveira, 32310 Contagem

 

No próximo dia 3 de dezembro, data em que celebra-se o Dia Internacional do Não Uso dos Agrotóxicos, artistas, ativistas, estudantes , profissionais da educação, saúde entre outros estarão reunidos em CONTAGEM/MG ao som dos tambores e ao sabor da culinária orgânica em colaboração a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, em um ato a favor da alimentação sem veneno, da agricultura familiar, a reflexão sobre as consequências do agronegócio e ao desenvolvimento da "consciência ambiental".

 

https://www.facebook.com/events/1522933657960712/?ref=4

 

  • Cuiabá (MT)

 

16:00hs - Ato em frente ao shopping Pantanal - Cuiabá (panfletagem e mobilização)

 

https://www.facebook.com/events/716732881745670/?notif_t=plan_user_invited

 

  • Curitiba (PR):
    12h na Boca Maldita

  • Inconfidentes (MG):
    8 as 16h na praça Tiradentes;
    17h: Palestra no Auditório da Escola-Fazenda
    20:30: CineUai: Agricultura Tamanho Família

  • Goiânia (GO)

 

Local: sala T-15 do edifício-sede do Ministério Público do Estado de Goiás (9 às 12h) e Mercado Vila Nova (até as 19h). No evento será lançado o 11o. FÓRUM ESTADUAL DE COMBATE AOS IMPACTOS DOS AGROTÓXICOS, um dos objetivos de Projeto do CNMP e Fórum Nacional de Combate sós Agrotóxicos.

 

  • Joinvile (SC):
    Vídeo-Debate: O veneno está na mesa 2
    02/12 - 19:15: na Casa Iririú
    03/12 - 19:15: no Centro de Direitos Humanos - CDH Joinville

 

  • Juiz de Fora (MG)
    17h: Aula Pública no Parque Halfeld
    18:30h: O veneno está na mesa 2 - Auditório João Carriço

  • Macaé (RJ):
    Panfletagem e exibição de filmes durante o II Fórum em Humanidade do NUPEM/UFRJ - Macaé

  • Mucugê (BA)

 

Seminário Impactos Causados Por Agrotóxicos No Território Da Chapada Diamantina

 

Centro de Cultura, 9 às 17h

 

 

Cinelândia:
15 às 21h | Exposição de Fotos e Outras Intervenções
18h | Aula Pública (Representantes da Fiocruz, da Campanha e Depoimento de Agricultor/a)
19h30 | Exibição do Filme "Agricultura da Morte" e Curta Agroecologia

 

  • São Carlos (SP):
    Das 11h30 as 13h30 no RU da UFSCar, exibição do filme: O Veneno Está na Mesa II
    https://www.facebook.com/events/382608931910157/

  • São Paulo (SP) 
    Ações informativas para a população alertando para os perigos dos Agrotóxicos.
    CUT e sindicatos filiados
    A partir das 11h na Praça do Patriarca, centro de São Paulo.

  • Vitória (ES):
    - Panfletagem + Panelaço E/Ou Batucada-Barulho No Ru – Ufes - Concentração A Partir Das 10:00hs No Elefante Branco Próximo A Barraca Agroecológica;
    - Exibição do Vídeo “O Veneno Está Na Mesa II” (Silvio Tendler)
    - Ao Término da Exibição Será Realizado Panelaço E/Ou Batucada-Barulho Na Rua Juntamente a Panfletagem;

  • Uberlândia (MG)

 

 

  • Rio Branco

 

  • Campinas

 



 

Curiosidades: Você sabia?

 

 

Você sabia que o agronegócio é uma forma de produzir mercadorias agrícolas que só funciona com uso de muitos agrotóxicos?

 

O agronegócio utiliza largas extensões de terras, os latifúndios, para plantar uma mesma espécie – normalmente soja, milho, algodão, eucalipto ou cana-de-açúcar. Dessa maneira, o agronegócio destrói a biodiversidade e desequilibra o ambiente natural, facilitando o surgimento de plantas, insetos ou fungos que podem destruir a plantação. Por isso, é uma agricultura dependente química: só funciona com muito veneno. O agronegócio também utiliza maquinário pesado, que compacta o solo, e não gera empregos, favorecendo assim o êxodo rural.

 

Você sabia que só a agricultura familiar camponesa pode produzir alimentos sem utilizar venenos, sementes transgênicas e fertilizantes sintéticos?

 

 

As camponesas e camponeses do Brasil são aqueles que botam comida na nossa mesa. E somente elas e eles podem praticar a agroecologia. Agroecologia é um jeito de organizar a produção agrícola e a vida no campo em harmonia com a Natureza. Na agroecologia, se produzem diversos tipos de alimentos numa mesma área, fortalecendo assim a biodiversidade e deixando a natureza equilibrada. Desta forma, não é necessário usar agrotóxicos, nem fertilizantes sintéticos, e muito menos sementes transgênicas. A agroecologia também melhora a vida no campo e impede o êxodo rural.

 

 

Você sabia que as sementes transgênicas levam ao uso de mais agrotóxicos?

 

 

As sementes geneticamente modificadas usadas no Brasil – de soja, milho e algodão – possuem dois tipos: aquelas em que a planta é modificada para aguentar mais agrotóxicos sem morrer, e aquelas em que a planta já possui o agrotóxico dentro de si. Nos dois casos o resultado é o mesmo: mais veneno na nossa mesa. Além disso, não existem estudos de longo prazo para garantir que os transgênicos são seguros para nossa saúde e para o meio-ambiente. Assim, o melhor a fazer é recusar alimentos que apresentam o símbolo dos transgênicos e preferir aqueles produzidos pela agricultura familiar camponesa.

 

 

Você sabia que apenas seis empresas estrangeiras lucram fornecendo insumos para o agronegócio brasileiro? E que apenas 4 empresas, também estrangeiras, lucram com a cadeia da exportação?

 

 

Quando o agronegócio brasileiro diz, orgulhosamente, que produz grande parte do PIB brasileiro, uma informação está escondida. Quem realmente lucra nessa história está bem longe do Brasil: Bayer, Basf, Monsanto, Dow, Dupont e Syngenta são as empresas estrangeiras que ficam com a maior parte dos lucros do agronegócio brasileiro, pois fornecem agrotóxicos e sementes transgênicas para os fazendeiros. Mas o abuso não para por aí: depois da colheita, acontece o mesmo, com outros atores. As transnacionais Bunge, Cargill, ADM e Dreyfuss levam para fora a renda de toda logística da exportação, da colheita até o embarque nos portos. O agronegócio leva o lucro e a produção para fora, e deixa os agrotóxicos eu câncer “de presente” para o povo brasileiro.

 

 

Você sabia que a bancada ruralista é responsável por aprovar leis e pressionar o governo para que use cada vez mais venenos na agricultura?

 

 

No legislativo brasileiro, um grupo de deputados e senadores de vários partidos formam a chamada Bancada Ruralista. Kátia Abreu (PMDB/TO), Ronaldo Caiado (DEM/GO) e Luis Carlos Heinze (PP/RS) são alguns dos expoentes desta bancada. Estes políticos se elegem graças a altíssimas cifras doadas nas campanhas pelas empresas do agronegócio, como a JBS, BRF e Marfrig, e na prática agem como empregados destas empresas dentro do congresso e do senado. Os ruralistas também dominam o Ministério da Agricultura. No ano passado, eles aprovaram uma lei que permite uso de agrotóxico proibidos no Brasil por serem altamente tóxicos, e já conseguiram até demitir funcionários das agências reguladoras de agrotóxicos. Após as eleições de 2014, os ruralistas declararam ter 51% do Congresso Federal. É necessária uma reforma política que decrete o fim das doações eleitorais de empresas para acabar com estas verdadeiras pragas da política brasileira.

 

 

Você sabia que os agrotóxicos, além de prejudicarem a saúde do povo, possuem diversas isenções de impostos no Brasil?

 

 

Em 2013, o mercado de agrotóxicos movimentou aproximadamente US$11,5 bilhões. Tanto gasto em veneno se reflete diretamente na saúde do povo: pesquisas recentes apontam que, para cada US$1 gasto com agrotóxicos, são gastos U$1,28 para cuidar de casos de intoxicação agudas no SUS. Mesmo assim, no Brasil os agrotóxicos têm 60% de isenção do ICMS, e muitos ainda possuem 100% de isenção do IPI, PIS/PASEP e COFINS. Além disso, alguns estados aliviam mais ainda a carga tributária estadual em cima dos venenos. Ou seja: eles nos envenenam, e nós pagamos a conta.

 

 

Você sabia que a pulverização aérea uma forma criminosa de aplicação de agrotóxicos, pois envenena tudo à sua volta?

 

 

Diversos estudos científicos e casos de intoxicação humana e contaminação ambiental comprovam que não existem condições onde a pulverização aérea seja considerada segura. Quando se joga agrotóxico de cima de aviões, comunidades rurais, urbanas e até aldeias indígenas também são atingidas. A pulverização aérea requer que sejam utilizadas grandes quantidades de veneno, pois o percentual de perda pode chegar a 88%. Isto mostra que grande parte do que é pulverizado atinge outros alvos que não os desejados, podendo contaminar os rios, os lençóis freáticos e ainda serem carreados para locais mais distantes pelo vento, atingindo diretamente pessoas ou espécies selvagens. Em maio de 2013, uma aeronave agrícola pulverizou agrotóxico sobre uma escola em Rio Verde, Goiás, resultando em diversos casos de intoxicação aguda de trabalhadores e alunos. Em 2009 a Comunidade Europeia publicou uma diretiva onde proíbe a pulverização aérea.

 

 

Você sabia que no Brasil se utiliza legalmente agrotóxicos já proibidos em outros países do mundo?

 

 

Dos 50 agrotóxicos mais usados no Brasil, 22 são proibidos na União Europeia, segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). O problema é que, ao contrário dos remédios, no Brasil o registro dos agrotóxicos não tem validade. Se hoje ele é aprovado e amanhã descobrem efeitos que proibiriam seu uso, fica muito difícil tirar os venenos de circulação. Mesmo assim, em 2008, 14 agrotóxicos entraram em reavaliação, mas apenas 4 foram proibidos. Veja alguns deles que ainda usamos:

 

 

 

Ingrediente Ativo

Quantidade usada em 2012*

Efeitos na saúde**

Proibido em**

Abamectina

141,81

Toxicidade aguda e suspeita de toxicidade

reprodutiva

Comunidade Europeia

Acefato

13080,63

Neurotoxicidade, suspeita de carcinogenicidade e de toxicidade reprodutiva.

Comunidade Europeia

Lactofem

170,21

Cancerígeno

Comunidade Europeia

Paraquat

5249,54

Alta toxicidade aguda e toxicidade.

Comunidade Europeia

Parationa metílica

1.763,44

Neurotoxicidade, suspeita de desregulação endócrina, mutagenicidade e carcinogenicica

Comunidade Europeia e China

Tiram

295,37

Mutagenicidade, toxicidade reprodutiva e suspeita de desregulação endócrina.

EUA

 

 

 

Fonte: * Ibama 2012 e ** Abrasco, 2012 – Dossiê sobre impactos dos agrotóxicos

 

 



 

 

Central terá radio itinerante nesta quarta (3), em São Paulo, para dialogar com população sobre riscos dos venenos aos trabalhadores, alimentos e meio ambiente

Há 30 anos, o vazamento de um gás tóxico usado na elaboração de um praguicida da Corporácion Union Carbide, na Índia, matou 30 mil pessoas, muitas delas crianças. Como forma de protestar e alertar para os riscos dos venenos ao meio ambiente, a Pesticide Action Network (PAN) estabeleceu o dia 3 dezembro como o Dia do Não Uso dos Agrotóxicos.

Manifestações dos movimentos sindical e sociais acontecerão em todo o país e, em São Paulo, a CUT promoverá um diálogo com a população por meio de uma rádio itinerante nesta quarta-feira (3), a partir das 11h, na Praça do Patriarca, região central da capital paulista.

A mobilização ainda discutirá a necessidade de os movimentos estarem nas ruas para pressionar o governo federal a adotar políticas progressistas para o campo, contra o forte viés conservador que se apresenta e pressionam em defesa dos interesses do agronegócio.

Em todo o Brasil, militantes da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida sairão às ruas para dizer: não queremos comida com veneno. Sabemos que o responsável para que Brasil siga sendo o maior consumidor de agrotóxicos do mundo é o Agronegócio, e todo o sistema politico que o sustenta.

Acompanhe por aqui onde acontecerão as mobilizações!

No dia 3 de dezembro, lembramos 30 anos da tragédia de Bhopal, na Índia, quando o vazamento de uma fábrica de agrotóxicos da Carbide Union, atual Dow Chemical, provocou a morte imediata de quase 10.000, e outras milhares nos dias seguintes.

por Ninja

Onde antes só haviam milhos transgênicos foram plantadas sementes agroecológicas. Uma denúncia ao agronegócio, representado pela Senadora Kátia Abreu, e aos produtos geneticamente modificados, prejudiciais ao meio ambiente e a saúde do povo brasileiro.

O vídeo 'Contra o inimigo cultivo a Rosa Branca', realizado pela Mídia NINJA, mostra detalhes da ação e conta com o depoimento de Aleida Guevara, filha de Che Guevara. Assista:

"Cultivo uma rosa branca para o amigo sincero. Para o inimigo cruel que me arranca o coração, também cultivo a rosa branca." (Adaptação do poema de José Martí)

Leia também a matéria completa da ação, que reuniu cerca de 2 mil jovens na ocupação da Fazenda Pompilho, com 2 mil hacteres de cultivo de milho transgênico à beira da BR 158, que liga a cidade de Palmeira das Missões no RS à região oeste de Santa Catarina.

O objetivo, segundo os participantes,  foi denunciar "o modelo do agronegócio, defendido amplamente pela bancada ruralista, e que tem a Senadora Kátia Abreu (presidente da Confederação Nacional da Agricultura) como referência política".  

A Senadora do PMDB acaba de ser convidada pela presidenta Dilma Rousseff para assumir o comando do Ministério da Agricultura. Apesar da nomeação já ser aguardada há algumas semanas, como parte das negociações para assegurar o espaço do partido no novo governo, diversos setores da sociedade se dizem abismados com a possibilidade de um governo do PT abrigá-la num ministério de Estado.

Militantes promovem manifestação no dia internacional de mobilização com pauta em favor da saúde

No dia 3 de dezembro militantes contra o uso de agrotóxico por todo o mundo irão tomar as ruas no Dia Internacional do Não Uso dos Agrotóxicos, organizado no Brasil pela Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida. A campanha é uma articulação permanente entre diversos movimentos sociais, sindicais e setores de toda a sociedade civil contra o uso dos agrotóxicos.

A campanha existe há quatro anos, e começou motivada pela mobilização contra os impactos dos agrotóxicos à saúde pública, que atingem diversos territórios e envolvem diferentes grupos populacionais, como trabalhadores rurais, moradores do entorno de fazendas, além de toda a população brasileira, que de um modo ou outro acaba consumindo alimentos contaminados. A posição que o Brasil ocupa desde 2008, como maior consumidor de agrotóxicos do mundo faz com que a mobilização seja ainda mais pertinente.

Chuva de veneno

Além da óbvia pauta principal, contra o uso dos agrotóxicos, existem cinco pontos que são almejados pelo movimento a um prazo mais curto. O primeiro deles é a pressão contra a pulverização aérea, ou seja, a aplicação de agrotóxicos por avião. O coordenador da campanha, o engenheiro Alan Tygel, afirma que o uso dessa forma de dispersão de substâncias químicas é extremamente prejudicial e já deveria estar proibido, como na Europa, onde a prática é vetada desde 2009.

“A gente sabe que uma pequeníssima parte desse veneno atinge de fato as plantas e o resto contamina rios, o solo e expõe as populações que moram no entorno das plantações a tomar chuvas de veneno, como a gente viu em Goiás, em uma escolinha de Rio Verde, entre outros casos”, disse ele, se referindo ao caso da contaminação de funcionários e alunos de uma escola do assentamento rural Pontal dos Buritis, na cidade de Rio Verde.

Da Página do MST*

Na semana passada, em Bruxelas, o Parlamento Europeu votou o novo texto que reintroduziu o direito dos Estados Membros uma base jurídica sólida que lhes permita proibir, nos seus territórios, o cultivo de Organismos Geneticamente Modificados (OGM).

A Comissão Meio Ambiente do Parlamento emendou o acordo alcançado pelo Conselho da UE em junho, que continha muitas falhas e era contrário ao voto expresso no Parlamento anterior.

As alterações melhoram o texto deixando para trás a orientação pró-OGM, que tinha sido o resultado da pressão do governo britânico.

Com o novo texto, os Estados-Membros poderão proibir o cultivo de organismos geneticamente modificados por razões ambientais, e limitou o papel central que os ministros da UE queriam dar às empresas de biotecnologia.

A questão não está concluída. O Parlamento, a Comissão e os governos, nas próximas semanas, deverão efetivamente iniciar as negociações, para que o texto definitivo da nova lei possa finalmente ser realizado.

O papel da presidência italiana será decisivo para fazer com que a proposta de lei não seja adulterada e o texto não se transforme em um cavalo de Tróia durante as negociações em sede européia.

*Com informações do Greenpeace

Segundo a PMA, produtos são autorizados no país, mas não tinham licença. Donos da empresa responsável pelo transporte foram multados e autuados.

Do G1 MS

A Polícia Militar Ambiental apreendeu 11,1 toneladas de agrotóxicos que eram transportados sem licença na MS-306, em Costa Rica, a 338 km de Campo Grande. O flagrante aconteceu durante a quarta-feira (5), mas só foi divulgado pela assessoria da corporação nesta quinta-feira (6).

Segundo a polícia, o veículo pertence a uma empresa paulista. Os produtos são autorizados no Brasil, mas para o transporte é necessário uma autorização especial. Os pesticidas serão entregues em uma fazenda da região.

Além da irregularidade, o caminhão não tinha as identificações para transporte de produtos perigosos conforme as normas técnicas e legislação ambiental.

O condutor foi encaminhado junto com o veículo e os agrotóxicos para a delegacia de Polícia Civil local. Os responsáveis pela empresa irão responder pelo crime ambiental. Se a Justiça condená-los, podem pegar de um a quatro anos de prisão. A companhia foi multada em R$ 15,290 mil.

As eleições passaram e o Congresso Nacional não poderia ter ficado pior: mais da metade dos seus membros diz se identificar com a chamada Bancada Ruralista. Além de afrontarem os direitos de indígenas e quilombolas, este grupo suprapartidário é responsável pela aprovação de leis que facilitam o uso de mais agrotóxicos.

No próximo dia 3 de dezembro, data em que celebra-se o Dia Internacional do Não Uso dos Agrotóxicos, a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida convoca os cidadãos brasileiros a se unir para exigirmos comida sem veneno. Para isso, é fundamental que o congresso defenda a saúde da população e a agricultura familiar, responsável pela produção de 70% dos alimentos que chegam à nossa mesa.

Além disso, a Campanha defende ainda o fim da pulverização aérea, prática utilizada pelo agronegócio, e a reforma política, de maneira a reduzir o peso dos interesses econômicos e viabilizar nossa representação na Câmara e Senado. Os ruralistas defendem os interesses de cerca de 1% dos proprietários de terra do Brasil, que dominam 44% das áreas brasileiras agricultáveis. Esta é apenas mais uma mostra das distorções de representação do nosso legislativo.

Aulas públicas, panelaço, panfletagem, “feira dos envenenados”. Vale um pouco de tudo. A ideia principal da campanha é demarcar a data nacionalmente e ir às ruas mostrar que a luta contra os agrotóxicos se vincula a um governo progressista, e às ideias da reforma política e participação popular.

Atividades já estão confirmadas em diversos estados. Em breve a agenda será divulgada. Contate a Secretaria Operativa da Campanha (pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.) para saber mais sobre as mobilizações em seu estado e monte também alguma atividade em sua cidade.

O 2º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente, reuniu academia, gestão pública e movimentos sociais para debater o tema “Desenvolvimento, Conflitos Territoriais e Saúde: Ciência e Movimentos Sociais para a Justiça Ambiental nas Políticas Públicas”. O Simpósio contou com 25 trabalhos relacionados à questão dos agrotóxicos, seja na denúncia dos seus efeitos na saúde, seja nas possibilidades de superação do modelo químico-dependente imposto pelo agronegócio através da agroecologia.

A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida esteve presente desde a organização do encontro até a participação oficinas, mesas e grupos de debate.

Veja a Carta da Campanha, notícias sobre o evento e a Carta final do II SIBSA.

 

Testes com animais demonstram alteração no funcionamento de células nervosas; estudos nos EUA, na China e no Brasil também sugerem aumento no risco de depressão em seres humanos

Em sua fazenda no estado do Iowa, nos Estados Unidos, Matt Peters trabalhava do nascer ao pôr do sol plantando 1500 acres com sementes tratadas com pesticidas. "Sempre me preocupava com ele nas primaveras", diz a esposa Ginnie, "e me sentia aliviada quando ele terminava o trabalho". Em 2011, o marido "calmo, racional e carinhoso" se tornou subitamente deprimido e agitado. "Ele me disse: 'Eu me sinto paralisado'", conta. "Ele não conseguia dormir ou pensar. Do nada, ficou deprimido".

 

Matt, aos 55, tirou sua própria vida. Ninguém sabe o que engatilhou sua mudança súbita de humor e comportamento. Mas, desde a morte do marido, Ginnie se lançou em uma missão para não apenas conscientizar as pessoas sobre o suicídio em famílias de agricultores, como também para chamar atenção para as crescentes evidências de que os pesticidas podem alterar a saúde mental dos agricultores.

 

Carga contrabandeada do Paraguai, avaliada em quase R$ 1,5 milhões, tinha como destino a cidade de Sinop
 
MAU À SAÚDE - PRF intercepta agrotóxicos em BR/Foto: Assessoria

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu, no final da tarde de sexta-feira (17), três toneladas de agrotóxicos contrabandeados do Paraguai.  A carga ilegal e totalmente prejudicial à saúde humana e do meio ambiente estava em uma carreta Volvo/FH, conduzida por um homem de 42 anos.

O motorista foi interceptado  durante uma fiscalização de rotina da PRF no km 258 da BR-364, próximo ao município de Juscimeira (a 165 km de Cuiabá). A carga dos defensivos agrícolas é avaliada em quase R$ 1,5 milhões.

Segundo a PRF, o carregamento seria levado a Sinop (a 500 km de Cuiabá). O condutor da carreta foi detido e a ocorrência foi encaminhada à Polícia Rodoviária de Rondonópolis.  

De acordo com policial rodoviário, Ênio Cléber, o crime é de natureza gravíssima, pois os agrotóxicos não são selecionados e podem provocar sérios danos à saúde humana e ao meio ambiente ao contaminar o lençol freático.

Para  exemplificar os malefícios do produto ele citou a pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso que, há dois anos, detectou presença de agrotóxicos no leite materno de mulheres  de Lucas do Rio Verde (a 333 km de Cuiabá) – município que  é referência no Estado em produção agrícola. “Ou seja, os danos à sociedade que esses agrotóxicos podem causar são imensuráveis”.

Por Viviane Tavares
Da Fiocruz

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Embora trágico, isso já não é mais novidade. No entanto, recentes pesquisas latino-americanas mostram que, além da intoxicação via alimentos, os trabalhadores também tem sofrido com esse impacto. E essa realidade está longe de ser mudada. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na safra 2010/2011, o consumo foi de 936 mil toneladas de agrotóxicos, movimentando US$ 8,5 bilhões entre dez empresas que controlam 75% desse mercado no país.

No artigo "Uso de agrotóxicos no Brasil e problemas para a saúde pública", publicado na última edição dos Cadernos de Saúde Pública, as autoras Raquel Maria Rigotto, Dayse Paixão e Vasconcelos e Mayara Melo Rochaafirmam que entre 2007 e 2011, de acordo com os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), houve um crescimento de 67,4% novos casos de acidentes de trabalho não fatais devido aos agrotóxicos. No mesmo período, as intoxicações aumentaram 126,8%. Entre as mulheres, o crescimento foi ainda maior, 178%.

 

Para as pesquisadoras, os agrotóxicos constituem hoje um importante problema de saúde pública, "tendo em vista a amplitude da população exposta nas fábricas de agrotóxicos e em seu entorno, na agricultura, no combate às endemias e outros setores, nas proximidades de áreas agrícolas, além de todos nós, consumidores dos alimentos contaminados", explicam no artigo.

 

Por Laudenice Oliveira (Assessoria Centro Sabiá)

Terça-feira, 13 de outubro, início da noite, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, em Pernambuco, junto com movimentos e organizações sociais do estado, realizou uma ação no centro do Recife para denunciar o uso de agrotóxicos nos alimentos consumidos pela população. A atividade foi um adesivaço  no supermercado Bompreço do Parque Amorim, rede Walmart, e um aulão na  praça  Parque Amorim, no  Centro do Recife.

No Bompreço, foram aplicados adesivos em frutas, verduras e produtos industrializados com a informação de que agrotóxico mata.  Na praça, realizou-se o aulão, onde a pesquisadora da Fiocruz, Idê Gurgel, destacou os perigos que as pessoas correm ao consumirem produtos produzidos com agrotóxicos. Alexandre Henrique Pires, coordenador do Centro Sabiá, também fez uma fala sobre produção agroecológica e a importância dos produtos agrícolas produzidos sem agrotóxicos para a segurança alimentar das pessoas do campo e da cidade.

Ele também estimulou os presentes a comprarem e divulgar a existência das feiras agroecológicas já existentes na nossa cidade.

Acesse as fotos do ato aqui

O pesquisador Pedro Henrique de Abreu defendeu este ano, na Unicamp, dissertação de mestrado que em que investigou a viabilidade do uso seguro de agrotóxicos. A conclusão é taxativa:  "[não existe] viabilidade de cumprimento das inúmeras e complexas medidas de “uso seguro” de agrotóxicos no contexto socioeconômico destes trabalhadores rurais."

Pedro visitou 81 unidades de produção familiar em 19 comunidades no município de Lavras, MG. Ele usou como referência os manuais de segurança da indústria química e do Estado e tentou verificar a viabilidade do cumprimento destas normas na agricultura familiar.

Foram diversos os aspectos verificados que puderam derrubar o mito de que existe um possível uso seguro de agrotóxicos:

- Aquisição: é feita sem perícia técnica, a receita é fornecida por funcionários das lojas, e os agricultores não recebem instruções na hora da compra;

- Transporte: é feito nos veiculos disponíveis, sem os requerimentos de segurança, e os agricultores não recebem os documentos de segurança necessários;

- Armazenamento: é feito nas construções disponíveis no estabelecimento, e o tamanho das propriedades impede que seja respeitada a distância segura das casas e fontes de água; e

- Lavagem dos EPIs é entendida como atividade doméstica comum por falta de informação, e portanto ocorre sem nenhum cuidado.

A dissertação defendida no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Unicamp foi orientada por Herling Alonzo, e aprovada por uma banca formada por Raquel Rigoto e Heleno Correa Filho.

Veja o texto completo aqui.

 

Adital

A cidade de Pergamino, localizada a mais de 200 quilômetros da capital argentina, ainda na Província de Buenos Aires, é uma região promissora e com terras produtivas, contudo, seu potencial vem sendo utilizado quase que unicamente para a produção de transgênicos. Esse tipo de cultivo, como já é de conhecimento comum, demanda grande quantidade de agrotóxicos, fumigados por terra e pelo ar, causando uma série de problemas graves de saúde. Nadando contra a corrente, um pequeno grupo fundou a "Assembleia pela Proteção da Vida, da Saúde e do Meio Ambiente de Pergamino”.

A iniciativa surgiu após a professora Sabrina Ortiz, moradora do bairro General San Martín, em frente a um campo de soja, sentir na própria carne o efeito avassalador dos agrotóxicos. Um produtor vizinho fumigava seus cultivos sem se importar com a hora ou com o vento e isso fazia com que o agroquímico chegasse até dentro da casa de Sabrina. Em março de 2011, após sentir irritação nos olhos, náuseas e mal estar, a professora sofreu um aborto. Sabrina fez a denúncia às autoridades locais, mas não teve êxito. A resposta veio do produtor, que atirou no cachorro da família.

A professora não desistiu e foi à Promotoria denunciar, mas também não obteve apoio. Em março de 2013, as fumigações foram retomadas e o poder público local continuou sem tomar qualquer atitude em favor da população afetada. Após muita pressão, inspetores municipais foram verificar a situação, mas alegaram "falta de provas”, apesar de terem em mãos fotos recentes dos tratores fumigando.

Sub-categorias